quarta-feira, 15 de maio de 2013

Os Inconfidentes

        

       Mineiros, baianos, cariocas, pernambucanos. Negros, índios, brancos, pardos, mulatos. Ricos e pobres. Livres e escravos. Durante os séculos XVIII e XIX, muitos homens de diferentes origens e condições sociais engajaram-se em lutas pela Independência do Brasil. O "sentimento nacional" ainda era incipiente e aparecia difuso em reivindicações que variavam muito entre si. República? Monarquia? Federalismo? Unitarismo? Abolição da escravidão? Permanência da economia sustentada pelo cativeiro  de seres humanos? Voto censitário ou universal?. As divergências eram muitas, apesar da Independência ser uma bandeira comum a todos.
         Prezados alunos do 8º ano, postem aqui as suas pesquisas sobre os "Inconfidentes". Sim, sim, é claro que a pesquisa sobre o mais "pop" dos Inconfidentes - Tiradentes - está valendo. Até porque, como vimos em sala de aula, existem informações muito contraditórias sobre ele. Porém, outros "heróis nacionais"  foram muito importantes para a luta pela Independência do Brasil, mas devido à sua baixa condição social  e/ ou cor da pele, a História oficial fez questão de silenciar. 
       Seguem abaixo algumas indicações para pesquisa, mas se por acaso encontrar algum nome que não consta nesta lista, fiquem à vontade para postar. Só não esqueçam de colocar a bibliografia, ok?!

- João de Deus do Nascimento
- Manoel Faustino dos Santos
- Luiz Gonzaga das Virgens
- Lucas Dantas Amorim Torres
- Claudio Manoel da Costa
- Tomás Antônio Gonzaga
- Frei caneca
- Domingos José Martins

Boas pesquisas!

segunda-feira, 29 de abril de 2013

"Um celular na mão e várias ideias na cabeça"

Cena do filme "Cinema Paradiso" (1988), de Giuseppe Tornatore.

Para fazer o "cinema novo" no Brasil , Glauber Rocha dizia que bastava "uma câmera na mão e uma ideia na cabeça". Naqueles fervilhantes anos 1960, a "novidade" do cinema de Glauber era resultado das mudanças que ocorriam em nosso país naquele período. Em suas palavras: " Nosso cinema é novo porque o homem brasileiro é novo e a problemática do Brasil é nova e nossa luz é nova e por isso nossos filmes nascem diferentes dos cinemas da Europa".
Inspirados nestas reflexões de Glauber, é que pensamos no projeto: "Um celular na mão e várias ideias na cabeça". Projeto nascido das aulas de História das turmas de 8º ano (1801, 1804 e 1806) da Escola Municipal Rosária Trotta, situada no bairro de Campo Grande na cidade do Rio de Janeiro. Afinal, os tempos são outros e "o novo homem brasileiro" (no caso aqui, jovens homens e mulheres) tem muito a dizer e mostrar.

Bibliografia: http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/2007/11/22/glauber-rocha-e-o-cinema-novo-editoria/

Abaixo, você poderá assistir aos vídeos produzidos pelos alunos denunciando problemas cotidianos do bairro onde vivem e estudam.


ASSISTA!

 









quarta-feira, 13 de março de 2013

Mulheres iluministas (8º ano)

             "As mulheres têm o direito a ter os seus representantes, e vez de serem governadas arbitrariamente, sem que sejam diretamente tomadas em consideração nas deliberações do governo".

(Mary Wollstonecraft Shelly)



        Mary Wollstonecraft nasceu em Londres, em 1759 e faleceu em 1797, com apenas 38 anos de idade. Devido à opressão vivida junto ao lar paterno, Mary saiu de casa aos 18 anos, adquiriu independência econômica através de emprego, assumiu uma união sem casamento e teve uma filha. 
       Para além de suas desventuras de uma mulher independente que vivia indubitavelmente, "à frente do seu tempo", Mary se destacou como escritora, pensadora e acima de tudo, defensora dos direitos das mulheres em um momento em que se falava apenas dos "diretos dos homens".    
       Em seu livro - "Vindication of the Rights of Woman (1790)", Mary defendia a independência econômica feminina, tecia críticas às leis e à educação formal da época e discursava a favor da igualdade de oportunidades entre os sexos. 
         Leitora de Rosseau e Locke e de outros pensadores iluministas e reformistas,  Mary Wollstonecraft foi uma das precursoras do feminismo.
        Aproveitando que estamos em março - mês internacionalmente conhecido como de homenagem às mulheres - e que estamos abordando o Iluminismo em sala de aula, vamos pesquisar mais sobre estas "mulheres iluministas"? Abaixo, segue uma pequena lista de alguns nomes possíveis, mas fiquem à vontade para pesquisar outros. Ah! E não esqueçam de colocar a bibliografia no final, ok?!

- Mary Astell
- Catharine Macaulay
- Adília Maia Gaspar
- Olympe Gouges
- Marquesa de Chatêlet

Boas pesquisas!
  
Bibliografia:

http://www.liberal-social.org/mary-wollstonecraft
http://pt.wikipedia.org/wiki/Mary_Wollstonecraft
AMARAL, A. João Seabra do. O sussurro e o grito em Mary Wollstonecraft. Escola Secundária João Gonçalves Zarco. Disponível em: http://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/4216.pdf
GOMES, Anderson Soares. Mulheres, sociedade e iluminismo: o surgimento de uma filosofia protofeminsita na Inglaterra do séc. XVIII. Matraga, rio de janeiro, v.18 n.29, jul./dez. 2011. Disponível em: 

Estudo Dirigido - Tema: Iluminismo


ILUMINISMO

"O homem é bom por natureza a sociedade que o corrompe”.

(Rosseau)

      No século XVIII, alguns intelectuais europeus passaram a questionar o Antigo Regime. O Absolutismo, o monopólio mercantilista e o abuso de poder por parte da nobreza, pareciam estar com seus dias contados quando as idéias de Diderot, D’Alembert, Montesquieu , Rosseau, Locke, Voltaire, entre outros, passaram a conquistar pelo menos parte da população, “iluminando” as idéias de uma elite letrada.

As origens

         Ao longo do séc. XVII, as práticas e valores defendidos pelos renascentistas foram reafirmados e ampliados por pensadores como Francis Bacon (filósofo inglês; 1561-1626), René Descartes (matemático francês; 1596-1650), Isaac Newton (astrônomo inglês; 1642-1727) entre outros. A produção cultural de todos esses intelectuais era reflexo dos tempos modernos.
        A partir do século XVIII, desenvolveu-se na Europa um movimento cultural que ganharia o nome de Iluminismo ou Ilustração. Segundo os principais pensadores que deram origem a esse movimento, a razão era a luz capaz de afastar nas trevas que dominavam o mundo europeu, provocadas pela ignorância e supertição características da Idade Média.
       Na França, a partir de 1751, o matemático D’Alembert e o filósofo Didertot dirigiram a publicação da famosa Enciclopédia. Mais de trezentas pessoas colaboraram escrevendo artigos especializados. Por causa dela os iluministas também foram chamados de Enciclopedistas. A publicação da Enciclopédia, que reunia em uma só obra diversos assuntos desde temas ligados à filosofia e política até os passos para a fabricação de uma chocadeira (revelando claramente a influência burguesa do movimento) vai ser o marco inicial do movimento iluminista. Em várias ocasiões a Enciclopédia foi censurada, passando a ser divulgada clandestinamente.

Principais características

No pensamento – Para os iluministas, somente através da RAZÃO que era possível chegar ao conhecimento. Era a razão, e não a fé, a luz que iluminaria as trevas da ignorância, do obscurantismo e da surperstição que dominavam a sociedade daquela época.Crítica à Igreja Católica, embora não negassem a existência de Deus.

Na política – Queriam substituir o Absolutismo Monárquico por um governo com base na vontade popular, com a igualdade de direitos.

Nas relações sociais – Queriam a supressão da sociedade estamental ou seja, da sociedade dividida em classes sociais rígidas (estados) sem possibilidade de mobilidade (apoio da burguesia) e liberdade de culto e de expressão.Defendiam a igualdade jurídica, que tem como princípio básico a igualdade de todos perante a lei.

Na economia – Desejavam substituir o mercantilismo pelo livre comércio (liberalismo). Eram a favor da defesa da propriedade privada (inspiração burguesa).

Principais representantes

Voltaire (1694-1770): Foi um dos maiores críticos do Antigo Regime e da Igreja. Defendeu a liberdade de pensamento e de expressão. Como forma de governo, era a favor de uma monarquia esclarecida, na qual o governante fizesse reformas influenciado pelas idéias iluministas.
Montesquieu (1698-1755): Propunha a divisão do poder em executivo, legislativo e judiciário, mantendo-se os três em equilíbrio permanente. Defendeu ainda a posição de que somente as pessoas de boa renda poderiam ter direitos políticos, ou seja, direito de votar e de candidatar-se a cargos públicos.
Rousseau (1712-1778): Este pensador francês, distinguiu-se dos demais iluministas por criticar a burguesia e a propriedade privada. Considerava os homens bons por natureza e capazes de viver em harmonia, não fosse alguns terem se apoderado da terra, dando origem à desigualdade e aos conflitos sociais. Propunha um governo no qual o povo participasse politicamente e a vontade da maioria determinasse as decisões políticas.
John Locke (1632-1704): Defendia que o governo deveria ter seu poder limitado. Para este pensador inglês, os homens formavam a sociedade e instituíam um governo para que este lhes garantisse alguns direitos naturais, como o direito à vida, à felicidade, à propriedade, etc. Por isso, caso o governo abusasse do poder, poderia ser substituído. Outra de suas afirmações era que todos os indivíduos nascem iguais, sem valores ou idéias preconcebidas.     
Despotismo Esclarecido

    As idéias iluministas difundiram-se por toda a Europa, onde encontrou ouvidos atentos, principalmente por parte da burguesia, a mais interessada em modificar a situação. Sendo assim, os monarcas reagiram. Uns, como o da França, de maneira a reprimir tais idéias. Outros, como os de Portugal, Espanha, Áustria, Rússia e Prússia, adotaram o chamado DESPOTISMO ESCLARECIDO.
       O Despotismo Esclarecido nada mais é do que a conciliação das práticas absolutistas com as idéias iluministas. Ou seja, o Antigo Regime continuava existindo, com os seus privilégios assegurados, o absolutismo e o mercantilismo. No entanto, eram realizadas algumas reformas inspiradas no Iluminismo. 

Exercícios de fixação

1) Defina Iluminismo.
2) Qual foi o livro considerado símbolo do Iluminismo? Por que ele foi censurado?
3) Explique as críticas dos iluministas à Igreja Católica.
4) De uma maneira geral, que tipo de governo os iluministas criticavam?
5) O que os iluministas argumentavam sobre os privilégios obtidos pelo "berço" (como ocorria com os nobres, que já nasciam com prestígio econômico, social e político)? 
6) Explique o significado dos conceitos abaixo, procurando identificar  o pensador que os defendia.
a) Divisão de poderes.
b) Despotismo esclarecido.

Acesse também a aula sobre Iluminismo do Educopédia (SME/ Prefeitura do RJ) disponível no link: 
http://www.educopedia.com.br/Cadastros/Atividade/Visualizar.aspx?pgn_id=69754&tipo=2



quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Sejam bem vindos alunos da Escola Municipal Rosaria Trotta!




Caros alunos,


Este espaço foi criado com objetivo de ampliar ainda mais os nossos canais de comunicação. Aqui, poderemos trocar ideias sobre os projetos que desenvolvemos na escola, bem como debatermos assuntos que abordamos em sala de aula referentes à disciplina História.


Aproveitem este espaço! Ele é nosso! Aqui, juntos, escreveremos a nossa História.    


"É melhor tentar e falhar, que preocupar-se e ver a vida passar.
É melhor tentar, ainda que em vão que sentar-se, fazendo nada até o final.
Eu prefiro na chuva caminhar, que em dias frios em casa me esconder.
Prefiro ser feliz embora louco, que em conformidade viver".


Martin Luther King (Pastor, teólogo, lutou em defesa dos direitos civis dos negros nos EUA nos anos 1960; foi assassinado por um opositor em 1968. Saiba mais em: http://educacao.uol.com.br/biografias/martin-luther-king.jhtm).



terça-feira, 2 de outubro de 2012

Reforma Protestante (Estudo Dirigido)

A venda de indulgências, pintura de Augsburg, cerca de 1530.

 No séc. XVI, surgiram várias Igrejas Protestantes na Europa. Os motivos pelos quais elas surgiram foram muitos, variando de país para país. Entre as principais questões que caracterizaram o processo de reformas religiosas podemos destacar:

1) Questões religiosas:

A Igreja Católica vinha, desde o final da Idade Média, perdendo sua identidade. Gastos com luxo e preocupações materiais estavam tirando o objetivo católico dos trilhos. Muitos elementos do clero estavam desrespeitando as regras religiosas, principalmente o que diz respeito ao celibato. Padres que mal sabiam rezar uma missa e comandar os rituais, deixavam a população insatisfeita. Além disso, práticas como venda de indulgências (perdão) e de relíquias sagradas, desmoralizavam ainda mais o clero.

2) Questões econômicas:

A burguesia comercial, em plena expansão no século XVI, estava cada vez mais inconformada, pois os clérigos católicos estavam condenando seu trabalho. O lucro e os juros, típicos de um capitalismo emergente, eram vistos como práticas condenáveis pelos religiosos.
Por outro lado, o papa arrecadava dinheiro para a construção da basílica de São Pedro em Roma, com a venda das indulgências e relíquias sagradas, assim como era dona de bens e terras.

3) Questões políticas:

No campo político, os reis estavam descontentes com o papa, pois este interferia muito nos comandos que eram próprios dos Estados.

4) Questões culturais:

O novo pensamento renascentista também fazia oposição aos preceitos da Igreja. O homem renascentista, começava a ler mais e formar uma opinião cada vez mais crítica. Trabalhadores urbanos, com mais acesso a livros, começaram a discutir e a pensar sobre as coisas do mundo. Um pensamento baseado na ciência e na busca da verdade através de experiências e da razão.

- As “reformas” na Europa

*A Reforma Luterana

Local: Sacro Império Romano Germânico (Alemanha)
Formulador: Martinho Lutero
Questão principal da reforma: religião
Apoio: nobreza

 O monge alemão Martinho Lutero foi um dos primeiros a contestar fortemente os dogmas da Igreja Católica. Afixou na porta da Igreja de Wittenberg as 95 teses que criticavam vários pontos da doutrina católica (1517).
As 95 teses de Martinho Lutero condenava a venda de indulgências e propunha a fundação do luteranismo ( religião luterana ). De acordo com Lutero, a salvação do homem ocorria pelos atos praticados em vida e pela fé. Em suas teses, condenou ainda o culto à imagens e revogou o celibato. 
Embora tenha sido contrário ao comércio, teve grande apoio dos reis e príncipes da época. Os nobres alemães temiam que Carlos V (Rei da Espanha) colocasse em prática o seu projeto expansionista de anexar a Alemanha.

*A Reforma Anabatista

Local: Sacro Império Romano Germânico (Alemanha)
Formulador: Tomas Müntzer
Questão principal da reforma: econômica e social
Apoio: camponeses

Este movimento se caracteriza por ser social-religioso. Contra os luxos da Igreja Católica, os anabatistas defendiam a distribuição de terras e riquezas dos nobres aos mais pobres. Eram contrários ao batismo no nascimento.
Formado por pobres camponeses, os anabatistas foram massacrados pelos nobres alemães luteranos.

*A Reforma Calvinista

Local: França
Formulador: João Calvino
Questão principal da reforma: econômica
Apoio: burguesia

Em 1534, João Calvino se tornou simpatizante do luteranismo e liderou a reforma protestante na França, com peculiaridades bem marcantes. De acordo com Calvino, a salvação da alma ocorria pelo trabalho justo e honesto. Essa idéia calvinista, atraiu muitos burgueses e banqueiros que não se sentiam à vontade com a condenação do lucro feita pelo catolicismo. Muitos trabalhadores também viram nesta nova religião uma forma de ficar em paz com sua religiosidade.
Calvino elaborou a teoria da predestinação que a grosso modo, significa que alguns homens nascem predestinados a trabalhar duro e vencer na vida, numa clara demonstração de apoio a burguesia e ao lucro.
Os calvinistas tinham regras de conduta muito rígidas. Condenavam por exemplo, bebidas alcoólicas, música alta, roupas pouco recatadas e gastos fúteis.

*A Reforma Anglicana

Local: Inglaterra
Formulador: Henrique VIII
Questão principal da reforma: política
Apoio: nobreza

Na Inglaterra, o rei Henrique VIII rompeu com o papado, após este se recusar a cancelar o seu casamento. Casado com Catarina de Aragão (Espanha), Henrique VIII não tinha mais interesses de manter o casamento, visto que a Espanha se apresentava como principal concorrente da Inglaterra no comércio ultramarino. Henrique VIII funda assim, o anglicanismo que aumenta seu poder e suas posses, já que retirou da Igreja Católica uma grande quantidade de terras.


  Na prática, os princípios do anglicanismo pouco se diferenciam dos do catolicismo.

- A Contra-Reforma

Preocupados com os avanços do protestantismo e com a perda de fiéis, bispos e papas reúnem-se através do Concílio de Trento(1545-1563) com o objetivo de traçar um plano de reação. No Concílio de Trento ficou definido: 

- Criação da Cia. De Jesus para catequização dos habitantes de terras recém-descobertas (Novo Mundo).
- Retomada do Tribunal do Santo Ofício (Inquisição)1
- Criação do Index – listagem de livros proibidos.
- Moralização do clero, fim das indulgências e criação de seminários.

Intolerância

Em muitos países europeus as minorias religiosas foram perseguidas e muitas guerras ocorreram, frutos do radicalismo. A Guerra dos Trinta Anos (1618-1648), por exemplo, colocou católicos e protestantes em guerra na Alemanha, entendendo o conflito por várias partes da Europa. Na França, o rei mandou assassinar milhares de calvinistas (chamados huguenotes na França) na chamada Noite de São Bartolomeu (1542). Na América, índios forma obrigados a se converter ao catolicismo. Milhares de protestantes se aventuraram rumo ao Novo Mundo (especialmente América do Norte) para fugir do Tribunal do Santo Ofício.
1 

Renascimento (Estudo Dirigido)


               

      Ao final da Idade Média a Europa passa por profundas transformações. A imprensa é aperfeiçoada permitindo maior divulgação dos livros; a expansão marítima é impulsionada graças ao desenvolvimento da construção naval e à invenção da bússola.
O Renascimento Comercial diminui consideravelmente a importância da economia baseada exclusivamente na agricultura. As cidades portuárias crescem, atraindo camponeses. Criam-se novas profissões e pequenas indústrias artesanais começam a se desenvolver.
        Uma nova classe social emerge nas pequenas cidades (burgos), composta por mercadores, comerciantes e artesãos (burgueses) as quais passam a desafiar o poder dos nobres.
        O espírito medieval, baseado na hierarquia nobreza – clero – povo, começa a se desestruturar e o homem preso ao feudo e ao senhor adquire nova consciência. Diante do progresso, percebe-se como força criadora capaz de influir nos destinos da humanidade, descobrindo, conquistando e transformando o Universo.
          O homem descobre o homem. A idéia de que o destino estava traçado por forças superiores, a qual caracteriza a homem como ser passivo, vai sendo substituída pela crença de que ele é o mentor de seu próprio destino. O misticismo medieval começa a desaparecer, e o Teocentrismo (Deus no centro) cede lugar ao Antropocentrismo (homem no centro).
Ocorreram nesse período muitos progressos e incontáveis realizações no campo das artes, da literatura e das ciências, que superaram a herança clássica. O ideal do humanismo foi sem duvida o móvel desse progresso e tornou-se o próprio espírito do Renascimento.
No entanto, é importante salientar que as mudanças verificadas a partir do séc. XV não aconteceram de uma “hora para outra” e sim, lentamente. O homem moderno começava a surgir sem que eles próprios se dessem conta das mudanças que estavam promovendo. Trata-se de uma mudança de longa duração.

 - O Renascimento
Renascimento é o nome que se dá a um grande movimento de mudanças culturais, que atingiu as camadas urbanas da Europa Ocidental entre os séculos XIV e XVI, caracterizado pela retomada dos valores da cultura greco-romana, ou seja, da cultura clássica. As bases desse movimento eram proporcionadas por uma corrente filosófica reinante, o humanismo, que descartava a escolástica medieval, até então predominante, e propunha o retorno às virtudes da antiguidade. Platão, Aristóteles, Virgílio, Sêneca e outros autores greco-romanos começam a ser traduzidos e rapidamente difundidos.
Mas atenção!!! O Renascimento não era um movimento organizado! Na realidade, este momento da história só foi assim batizado por historiadores no séc. XIX.

 - Itália: o “berço” do Renascimento

Motivos:

1) Políticos: A região italiana, diferente de outros Estados que vinham se formando na Europa neste período, era dividida em cidades-estados independentes. Este fato sem dúvida, significava mais liberdade para aqueles que ali resideiam/ circulavam.

2) Econômicos: A profunda atividade comercial da região, acabava reunindo um grande número de pessoas provenientes de várias partes da Europa e do Oriente, proporcionado assim, não só uma grande circulação de mercadorias, mas também de hábitos, conhecimento e cultura.
3) Sociais: Devido ao comércio intenso na regisão, verificamos a formação de uma camada burguesa enriquecida e que necessitava de reconhecimento social. O comércio comandado pela burguesia foi responsável pelo desenvolvimento urbano, e nesse sentido, responsável por um novo modelo de vida, com novas relações sociais onde os homens encontram-se mais próximos uns dos outros. Dessa forma podemos dizer que a nova mentalidade da população urbana representa a essência dessas mudanças.

4) Culturais: A existência de diversas obras clássicas na região, assim como a influência dos "sábios bizantinos", homens oriundos principalmente de Constantinopla, conhecedores da língua grega e muitas vezes de obras clássicas.

- Características

 * Valorização da Razão
 * Antropocentrismo
 * Valorização da natureza
 * Valorização da cultura greco-romana (classicismo)
 * Observação
* Hedonismo (valorização do prazer de viver)

-
A Produção Renascentista
A Renascença encontra expressão nas artes plásticas, literatura, teatro e até na ciência. Eram artistas, cientistas, historiadores e contavam até com membros da Igreja Católica. Eram protegidos pelos mecenas, homens ricos que davam as condições materiais para a produção das novas obras. O investimento do mecenas era recuperado com o prestígio social obtido, fato que contribuía com a divulgação das atividades de sua empresa ou instituição que representava. A maioria dos mecenas italianos eram elementos da burguesia, homens enriquecidos com o comércio local.
* Alguns nomes responsáveis pela divulgação das novas idéias:
Na pintura: Leonardo da Vinci (1452-1519), Rafael Sanzio (1483-1520), Michelangelo (1475-1564), Ticiano (1490-1576).
Na literatura: Farnçois Rabelais (1494-1553), Tomas Morus (1478-1535), Shakespeare (1564-1616), Camões (1524-1580), Erasmo de Roterdã (1466-1536), Miguel de Cervantes (1547-1616).
Na ciência: Da Vinci, Copérnico (1473-1543), Giordano Bruno (1548-1600), Galileu (1564-1642)